Manifesto convoca mulheres a defenderem feminismo mais amplo e participativo

Da Cult

Em outubro de 2016, 100 mil mulheres vestidas de preto saíram às ruas de Varsóvia, na Polônia, contra a proibição do aborto no país. Paralisaram todas as suas atividades: estudos, trabalho e serviços domésticos. No fim do mesmo mês, mulheres argentinas também entraram em greve após o assassinato da adolescente Lucía Pérez, de 16 anos, drogada, estuprada e empalada na cidade de Mar del Plata. O caso deu origem ao movimento Ni Una a Menos, que se espalhou pelo mundo e culminou, em 2017 e 2018, na Greve Internacional de Mulheres, movimento global coordenado em mais de 50 países, no dia 8 de março. Essa “nova onda de ativismo combativo” inspirou Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser a elaborarem o manifesto Feminismo para os 99%, lançado simultaneamente no Brasil e em outros oito países no Dia Internacional da Mulher, para quando se programa uma nova greve geral. O movimento, defendem as autoras, corporifica o feminismo dos 99%, cujas pautas ultrapassam as noções de empoderamento e representatividade de mulheres em cargos e posições de poder, e se conectam diretamente às preocupações da classe trabalhadora, dos ambientalistas, dos ativistas antirracistas e pelos direitos dos imigrantes. Para elas, é preciso necessariamente escolher um caminho entre duas alternativas: o feminismo liberal, que deseja apenas compartilhar entre homens e mulheres da classe dominante a tarefa da exploração; e o feminismo grevista dos 99%, que quer antes de tudo derrubar o capitalismo. Não há opção intermediária, afirmam as autoras…

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